Criminalidade violenta. “No Name Boys”. Prisão Preventiva. DIAP do Núcleo de Sintra
Ao abrigo do disposto na alínea b) do n.º 13 do artigo 86.º do Código de Processo Penal, informa-se que:
Na sequencia de detenção fora de flagrante delito, o Ministério Público apresentou a primeiro interrogatório judicial cinco arguidos de idade compreendidas entre os 19 e os 53 anos, indiciados pela prática em coautoria material de;
- 1 (um) crime de furto qualificado;
- 1 (um) crime de dano;
- 1 (um) crime de incêndio, explosões e outras condutas especialmente perigosas;
- 1 (um) crime de resistência e coação;
- 12 (doze) crimes de injúria agravada; e
- 1 (um) crime de ofensa à integridade física grave qualificada.
Um dos arguidos encontra-se também fortemente indicado pela prática de um crime de tráfico de menor gravidade.
Os arguidos integram o Grupo Organizado de Adeptos “No Name Boys” e participaram, no dia 21 de dezembro de 2024, num jantar de Natal que reuniu cerca de 300 adeptos do Benfica num restaurante situado em Agualva-Cacém.
No mesmo local encontravam-se cerca de 200 pessoas que não pertenciam ao grupo.
Os arguidos, juntamente com outros suspeitos cujas identidades ainda são desconhecidas, começaram por entoar cânticos alusivos ao clube do qual são adeptos. Depois, aproveitando-se da sua superioridade numérica, acederam ao armazém reservado aos funcionários do estabelecimento e retiraram do seu interior várias garrafas de bebidas brancas e espirituosas, sem efetuar o respetivo pagamento.
Quando a PSP se deslocou ao local para tentar repor a ordem, os arguidos juntamente com os outros elementos, que se tinham deslocado para o jantar munidos de artigos pirotécnicos, fizeram deflagrar vários potes de fumo, foguetes coloridos vulgarmente conhecidos por “flashlight” e tochas no interior do estabelecimento. Consequentemente, gerou-se uma nuvem de fumo e disparou o alarme de incêndio, o que provocou pânico e mal-estar físico entre os demais clientes que aí se encontravam, nomeadamente crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida, dadas as dificuldades em respirarem e face à perda total de visibilidade no interior do referido espaço fechado.
Os elementos da claque arremessaram também objetos, nomeadamente, pratos, talheres, garrafas, copos e jarras pertencentes ao restaurante.
Já no exterior do restaurante foram os agentes da PSP insultados e agredidos com vários objetos, nomeadamente peças de loiça e vidro que o grupo tinha trazido do estabelecimento, tendo pelo menos um dos agentes ficado ferido
Na sequência do interrogatório judicial realizado no dia 09.04.2025, foi aplicada aos arguidos em 10.04.2025, a medida de coação de prisão preventiva.
O inquérito corre termos no DIAP do Núcleo de Sintra e encontra-se em segredo de justiça.